Dos outros de que somos feitos: educação, cultura e conflitos sociais

Maurício Érnica

Resumo


O texto discute algumas relações entre educação e cultura, a partir da constatação de que os embates entre valorizações e desvalorizações de personagens, relações sociais e modos de vida influenciam as práticas educacionais. Para tanto, apresenta formulações teóricas baseadas na obra de Vygotsky sobre o papel do “outro” social na formação do eu, e relaciona essas ideias com as de patrimônio cultural e de educação. Discute que, para Vygotsky, o outro antecede a formação do eu, e só podemos existir como humanos porque fazemos com que as marcas dos outros existam dentro de nós como recursos que nos formam; porque, pela interiorização das palavras e das ações dos outros, desenvolvemos a possibilidade de nos estranharmos, de olharmos a nós mesmos como um outro. Na medida em que esses outros existem em nós e nos constituem, os afetos e as valorações que se referem a eles tornam-se afetos e valorações referidos a aspectos nossos. Afirma que as atividades educacionais e o patrimônio cultural de um grupo estão profundamente interligados. Só se pode falar em educação porque existe um meio cultural e porque nele há saberes que são valorizados e que devem ser transmitidos para as novas gerações. A educação pressupõe a definição de quais são os saberes socialmente relevantes e que formam o patrimônio valoroso a ser transmitido. O texto destaca que o sistema escolar é a instância decisiva para a formação de gente letrada e culta. Pensar a educação de forma mais ampla, integral, pode ser um meio de reconhecermos que algumas dimensões de nossa formação histórico-social podem ser valorizadas em detrimento de outras.


Palavras-chave


Educação; Cultura, Conflitos sociais; Outro social; Formação histórico-social; Vygotsky


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DOI: http://dx.doi.org/10.18676/cadernoscenpec.v1i2.138

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ISSN 2237-9983